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Mostrando postagens de 2013

Paulo Leminski

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se amor é troca ou entrega louca discutem os sábios entre os pequenos e os grandes lábios no primeiro caso onde começa o acaso e onde acaba o propósito se tudo o que fazemos é menos que amor mas ainda não é ódio? a tese segunda evapora em pergunta que entrega é tão louca que toda espera é pouca? qual dos cinco mil sentidos está livre de mal-entendidos? Paulo Leminski

Você não precisa namorar

(ou noivar, ou casar ou qualquer coisa assim) por João Baldi Jr. em 20/11/2013 às 10:00 | PdH Shots, Relações (Fonte: Papo de Homem ) Talvez seja culpa do instinto humano que busca categorizar e taxonomizar tudo, talvez seja resultado de séculos de doutrinação social, talvez seja até influência de todas aquelas madrugadas viradas jogando Super Mario, mas a verdade é que crescemos acreditando na vida como um sistema de fases. Sim, fases. Etapas. Aspectos da vida que se seguem e obrigatoriamente levam um ao outro, como em uma progressão natural definida antes mesmo de nascermos e que estamos obrigados a, no decorrer da nossa existência, seguir. Escola leva pra faculdade, que leva para um trabalho, que leva para a luta por um cargo, uma sala, uma mesa de frente pra uma vista que pode ser a do fundo descascado do outro prédio, mas que é sua. Casa dos seus pais leva pra sua casa, que leva pra sua casa de casado, que leva pra uma casa com seus filhos, que leva talv...

Ah, Clarice!

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Brincadeiras

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1 - A primeira canção que eu aprendi a cantar da Legião foi Faroeste Caboclo. 2 - O primeiro roteiro que eu escrevi na minha vida se chamava Melão e comecei a escrevê-lo dois dias depois de ver Pulp Fiction no cinema. 3 - Já andei no meio da rua com carros vindo na minha direção e todos eles desviaram, vide eu estar aqui escrevendo isso. 4 - Quando fui morar em apartamento minha mãe teve medo de que eu pulasse da janela tentando voar imitando o Super-Homem. Ela não sabia que eu consegui, até ler isso. 5 - Meu amigo imaginário da infância era o Bruce Lee. 6 - Eu sei imitar o som de um isqueiro acendendo. 7 - Sete é meu número favorito. 8 - O Van do meu nome é uma homenagem a: Van Gogh, Van Halen e Van Helsing. 9 - Eu morria de medo de ET's quando criança, mas o medo passou quando eu fui abduzido. 10 - Quando eu entro num lugar que nunca estive eu traço rotas de fuga mentalmente, caso de merda. 11 - Passava a noite em claro criando perso...

Garotos

Garoto mesmo. Veja você. Um garoto.  Tão forte em suas convicções, certo de  suas ações que nem mes mo o teu clamar por expor-lhe a juventude lhe  abala. Garoto esse que não treme perante a decisão, seja qual for. Tão  garoto que é capaz de perceber, em meio as suas garotices, que  extrapolou em determinada brincadeira com outrem, e sem desvios se  entrega à desculpas sinceras. Garoto que é capaz de percorrer quilômetros  após uma madrugada em claro de estudos, apenas para passar  algumas horas com a garota amada. E você que mal se coça para  atravessar o corredor que nos separa, faz uso de tuas próprias garotices,  na tentativa frustrada de fazer-se menos garoto. Ah meu bem, se tivesses metade da ingenuidade que julgas pertencer a esse  garoto, serias em dobro mais maduro do que achas que já és.

Sentir-se amado

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Martha Medeiros O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.  Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.  Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.  A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?  Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.  Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sug...

Divirta-se

------------------------------------------------------------- Uma mulher encontra uma lâmpada mágica. De lá sai um gênio machista e lhe diz: - Concedo-lhe três desejos, mas qualquer coisa que você pedir darei ao seu marido multiplicado por dez. - Quero ser a mulher mais linda do mundo. - Concedido... e a seu marido dez vezes mais. - Quero ser a mulher mais rica do mundo. - Concedido... e a seu marido dez vezes mais. Qual é o último desejo? - Quero ter um leve ataque cardíaco... ------------------------------------------------------------- - Maria, seu marido vai se jogar pela janela! - Fale para esse imbecil que eu lhe botei chifres e não asas. ------------------------------------------------------------- Qual a diferença entre o E.T. e um homem? O E.T. pelo menos tentou ligar para casa... ------------------------------------------------------------- Deus chama Adão e diz: - Filho, tenho uma boa e uma má notícia. - Me fale primeiro a...

Prelúdio

Aos 30 anos de idade, em um fim de tarde varrido pela neblina que só a cidade de Petrópolis pode fornecer em pleno 2 de Janeiro, cá estou eu há exatos cinco minutos tentando formular a frase que dará início a este livro. Quando percebo que, tomada de um impulso quase próprio, a caneta decide tal dilema por mim, juntando as palavras que, há pouco, tanto relutavam em sair. Não, esta não é a primeira vez que tento escrever um livro. Mas é a primeira vez que me sinto realmente motivada a fazê-lo. E assim me sinto, pois pela primeira vez tenho medo da inexistência. Me lembro com clareza o dia em que decidi entrar para a equipe de basquete da escola. Eu só queria jogar e me divertir sem compromisso, mas não fazia ideia de como era escasso o número de jogadoras, e qualquer menina que entrasse era crucial para a equipe. Em menos de duas semanas de treino já havia um jogo marcado. Eu, na minha inocência, pensei que não sairia do banco de reserva, pela falta de experiência. E portanto, não ...

Desabafo Giggio

Giovanni Judice 03 de Novembro de 2013 Brasileiros: comemorem com mais uma cervejinha gelada ao som de uma dancinha baiana e assistindo ao seu futebol, cuja escalação (não só de seu time como de todos os demais) vocês sabem de cor, ou à sua novela das nove (cujos capítulos seguintes vocês já conhecem, pois compraram as revistas de fofocas com as resenhas do que está por vir)! Vocês merecem tudo que há neste país! Não reclamem da violência, da corrupção de autoridades, da ineficácia das instituições, dos baixos salários e toda mazela existente por aqui.  Continuem a comprar seus baseados na "boca de fumo amiga" e calem a suas bocas quando um vagabundo lhes assaltar, estuprar suas irmãs ou assassinar seus pais no meio da rua.  Continuem a pagar uma "cervejinha" pro "Seu Guarda" na ida pra praia dominical (quando seus documentos estiverem atrasados) e agradeçam toda vez que passar na TV sobre a corrupção na polícia. O cara que estuprou suas irm...

Eu e minhas tolices

Entender a dinâmica da vida e se ajustar às regras é um dos caminhos mais interessantes a se fazer. Você se torna consciente de seus passos e apto a tomar as decisões que melhor lhe convir. Você se torna até mesmo capaz de prever os atos dos outros, se protegendo de possíveis ações que possam lhe prejudicar. A maestria então vem quando você domina todo o seu campo emocional e amplia as suas capacidades racionais. Infelizmente, para pessoas cujas emoções residem à flor da pele, como eu, o preço a se pagar por um estilo de vida tão controlado é alto por demais. A gente acaba descobrindo que as pessoas, até mesmo aquelas bem próximas, não ligam a mínima para você, e que suas expectativas não passam de uma ilusão. Você passa um tempo investindo e construindo relações profundas para perceber, que quando mais precisa de alguém, esse alguém está vivendo de acordo com as regras. E você não passava de uma pedra em seu caminho. Pedra essa que se mantinha presente enquanto útil, e ao menor sinal...

Tipula, Makoto ou simplesmente Meu Orgulho!

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Hoje é o aniversário de uma pessoa especial demais para mim! Quando a conheci ela era a aluna nova cheia de personalidade e marra que deixou muita gente incomodada. De birra, as pessoas preferiam se afastar. Mas eu fui me aproximando e encontrando brechas nessa fortaleza. Com o tempo, ela foi me ensinando a construir minha própria fortaleza, me mostrando que eu poderia acreditar mais em mim mesma. Sempre esteve ao meu lado, transbordando minha vida de muitas risadas e momentos inesquecíveis. Linda, geniosa e de um talento que não acaba, ela me faz sentir uma pessoa de sorte por tê-la como amiga! Ana Paula, já te chamei de muitos nomes, tantos foram os apelidos arrecadados. Mas todos se traduzem em um único sentimento: o do orgulho de te conhecer! Eu tive a oportunidade de fazer parte do início de sua carreira, e te ver alcançando passos cada vez maiores só me enche de alegria. Obrigada por um dia me conceder a honra de sua presença. Obrigada mais ainda por mantê-la, independent...

Há Linie, ô se há!

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Tão sutilmente em tantos breves anos Lya Luft Tão sutilmente em tantos breves anos foram se trocando sobre os muros mais que desigualdades, semelhanças, que aos poucos dois são um, sem que no entanto deixem de ser plurais: talvez as asas de um só anjo, inseparáveis. Presenças, solidões que vão tecendo a vida, o filho que se faz, uma árvore plantada, o tempo gotejando do telhado. Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe o pó de um cotidiano desencanto. Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos que uma em outra pode se trocar, sem que alguém de fora o percebesse nunca. ....... <|> ....... Muitas são as faces em que você se dispôs ao mundo. Mas todas se resumem a um único sentimento para mim: o do amor mais puro! É bem provável que para os que de fora observam, somos rotuladas como grandes amigas. Mas você é minha cara metade, tem em ti essência de minha alma, assim como tenho em mim pedaços da sua. Meu porto segur...

Tênue

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Eu queria ter em mim a força da certeza, e nela apoiar meus pés cansados. Eu só queria poder pisar sem precisar medir tanto o caminho. Mesmo ao levantar poeira, saber que sob a névoa encontra-se rocha firme. Fechar os olhos e seguir firme. Confiante. Mas a vida não é dessas consistências, e há quem diga que é aí onde mora toda a graça. Eu queria que esse palpitar entre meus peitos fosse de certezas, em sua esmagadora maioria, e não dessa dúvida massacrante. Queria apenas ser, e perceber que é só o que basta aos que em minha margem residem. E pensar que transbordo em mim um mundo de coisas para compartilhar. Queria parar de sentir esse vazio que preenche tanto... Mas eis que estamos aqui, em convivência. E para conviver é necessário viver pela metade, escolhendo a sua melhor e compondo o restante aos poucos, sem pressa. Feliz daquele que souber compor o meio que lhe resta com o que há de melhor a sua volta. Como quem escolhe as frutas que irá saborear no passeio de fim de domingo...

Surpresas danadas de boa!

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Hoje, como todo 3 de setembro, desde o ano de 1982, foi o meu aniversário. Hoje eu completei 31 anos de idade, e como todo aniversário, recebi os cumprimentos de amigos e familiares. Mas hoje, diferente de quase todos os outros anos, a surpresa se aprofundou em minha alma. Aos que me conhecem de longa data sabem que o aniversário não representa muito para mim, e não falo isso com tom de rancor ou drama. Eu nunca me importei mesmo com as comemorações. Já cheguei ao absurdo de esquecer do dia, dito tão especial. Entretanto, esse ano de 2013 veio para quebrar os protocolos. E começou no dia anterior, o qual passei a tarde na cidade do Rio de Janeiro com dois amigos do doutorado resolvendo pendências de teses. Eu estava tão feliz de estar ali com o Gastão e o Leandro, compartilhando de boas histórias, que pela primeira vez senti a vontade de falar, com o sorriso escancarado, que o dia seguinte seria meu aniversário, mas que aqueles momentos juntos já se faziam sentir como sinceras come...

Poesia do Dia

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As sem-razões do amor Carlos Drummond de Andrade Eu te amo porque te amo, Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga. Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários. Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo. Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.

Registro

[Texto escrito em 11 de Agosto de 2013 às 22:54, após assistir ao filme "Burried"] Life isn't fair. Anyone gives a shit for no one. You just come and use me for your convenience. And then disappears. But I am sick of it. You take what is mine, and I will send you straight to hell, believe me. And You will even notice the evil that lies inside of me. Instead, you will miss me, like a starving one, and you will beg my attention. Life isn't fair. But is so fuckin' beautiful!

Quando a sorte nos sorri!

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Quando a sorte nos sorri, sorrimos de volta. Em um sorriso bem aberto, daqueles contagiantes. Quando a sorte nos sorri, levamos mais tempo no banho cantarolando um refrão qualquer, e nos perfumamos como se buscássemos pertencer a um belo jardim. Quando a sorte nos sorri, nossos dias são os mais lindos, e nem mesmo a chuva consegue nos arrancar desânimo. E ficamos expostos, pois quando a sorte nos sorri não há viv'alma que passe despercebido por tanta beleza. Talvez único ponto ruim é sentir voar o tempo, quando a sorte nos sorri. E como dica só posso indicar viver intensamente cada segundinho desses momentos raros. Aguce seus sentidos, pois quando estamos assim, sublimes, somos capazes de sentir até mesmo o que não existe. Desfrute de todos os sabores, sem frescuras! Permita-se! Encontre encanto até mesmo no medo que sentimos de que algo dê errado, quando a sorte nos sorri. Pois esse medo vai embalar suas atitudes e, com sabedoria, te levar por caminhos de deslumbre. Pondere, a...

Love

"Have you ever been in love? Horrible isn't it? It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens up your heart and it means that someone can get inside you and mess you up. You build up all these defenses, you build up a whole suit of armor, so that nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life...You give them a piece of you. They didn't ask for it. They did something dumb one day, like kiss you or smile at you, and then your life isn't your own anymore. Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so simple a phrase like 'maybe we should be just friends' turns into a glass splinter working its way into your heart. It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It's a soul-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain. I hate love." (Neil Gaiman)

Fabuloso Destino

Sicilia Judice [escrito em 4 de Abril de 2006] Que a vida me traga amor, e que o amor me traga vida. E que eu cultive essa vida com todo amor que eu tenha. Eu quero braços que me abracem, eu quero lábios que me beijem, eu não sei ao certo o que eu quero, nem mesmo sei porque escrevo. Mas meu coração não pára de bater e sinto a água inundar meus olhos. E esse sorriso, sim, esse sorriso que me impulsiona, que me eleva e me faz sentir tão bem... Eu quero respirar todo o ar do mundo de uma única vez, quero dançar a luz da lua e adormecer sob o calor do sol. Eu quero andar por dias sem fim só pra descobrir onde o vento sopra mais gostoso. Eu quero ter medo e ter frio, e ter medo de ter frio. Eu quero um filho e um filho do meu filho. Eu quero poder fechar os olhos, lamber os lábios, e sentir um gostinho de que tudo valeu a pena, ao final...

Contrapartida

Depois de muito insistir, consegui uma vaga em meio a tantos telefonemas nesse dia especial. Consegui uma vaga, e foram suficientes os dois minutos e dezesseis segundos dos quais apenas informei o motivo da ligação. Recebi os agradecimentos protocolais e desliguei. Por quê eu insisti tanto, se a vontade é superficial? Porque a saudade nunca se foi. Porque aquilo que não existe ainda ronda feito fantasma a minha memória imprestável. Porque eu queria ter ficado por horas naquele telefone, até a orelha esquentar. Eu queria ter declamado poemas e me perdido em meio a cartas sem fim. Eu queria ter escutado a sua surpresa ao ter recebido o presente por semanas arquitetado. E queria ter cuspido o quanto faz falta a sua presença. Eu queria ter sido sincera ao dizer que em breve, seja lá quando isso for, trocaremos abraços. Talvez leve muito mais tempo do que imaginava, e ainda corremos o risco de não ser o tempo suficiente. Eu juro que estou tentando, com todas as minhas forças, reaver um pou...

Dia dos Pais

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Um pai é realmente algo fora do comum. As mães têm uma responsabilidade mais formal, mais carregada na preocupação. Talvez porque já participe de treinamentos exaustivos desde a infância. Mas um pai é extraordinário. Não é fácil prever suas atitudes, nem todos são iguais. Mas todos aparentam ser esse muro de bloqueios sentimentais. Coisa de homem. De fora parece que eles não ligam para os acontecimentos ao redor, mas por dentro eles estão tendo ataques epiléticos, sem saber ao certo como agir. Se eles soubessem como ficam lindos quando encontram-se nessas confusões, deixariam isso vir à tona mais vezes. E como é sedutor ver um homem se enrolando com as fraldas, mas com o orgulho falando mais alto sem deixá-los sequer pensar na remota possibilidade de desistir da tarefa. Um pai é a representação da segurança, da postura, e nele o filho busca aprovações diárias. Quantas frustrações um pai já não causou por aí, simplesmente por não perceber o momento de dar um abraço ou de expor em pal...

Nós e o tempo

O tempo é de uma crueldade saborosa. Em termos de ação ele é passivo, constante em suas passadas. E ainda insistimos em culpá-lo de tanta pressa ou por vezes demorar a passar. E apesar de ser nele onde gravamos nossa existência, quase nunca ele está do nosso lado. Temos, nós e o tempo, uma relação deveras delicada. Gosto de pensar no tempo como um chefe de família, soberano, majestoso. Penso nele ali, confortável em sua poltrona a observar nossos tropeços. Cada vez que o fitamos em busca de respostas, ou aprovação de nossos atos débeis, ele continua ali, imóvel. Buscamos qualquer pequena alteração que entregue seus pensamentos, mas essas não existem. E de tanto fitar, juramos de pés juntos, termos avistado um sinal, um lampejo qualquer que fundamente nossas decisões.  Quanto tempo perdido.  Em sua maioria, gastamos nosso tempo buscando aquilo que achamos necessitar. E nesse tempo, temos a sensação de não termos tempo disponível. Embebido de pura ironia, é nesse exat...

Registro pessoal

Produzido em 30 de junho de 2013, às 15:14 Permissão para mulherzice (desculpe a extensão) Eu devia falar isso, mas não consigo arrumar os pensamentos enquanto falo, e acabo me embolando. Por isso via texto. Eu gosto muito de você, muito mesmo, mas eu queria poder aparar algumas arestas, e acredito que já temos confiança um no outro pra isso (mesmo eu preferindo escrever ao inves de falar). Ontem você me falou muito sobre sua tática de se colocar em uma situação emocional diferente do seu interesse. E eu não consegui entender até agora porque vc me disse isso. Parecia que vc queria me dizer alguma coisa, mas eu nunca alcanço. E é o tipo de coisa que vai ficar martelando na minha cabeça por dias... Enfim, eu queria esclarecer algumas coisas para que eu possa tirar de vez essas preocupações banais da cabeça.  Como vc enxerga nossa relação? À princípio eu achava que era apenas sexo, mas você tem toda uma estrutura de carinho e aconchego embutida que é deliciosa. Mas ...

Fuga alucinada

Barulhos de helicóptero. Ela acorda e percebe estar toda ensanguentada. Ele ainda está por cima dela, preocupado com o barulho que o denuncia. Os gemidos de dor da puta envolvida em vinil não o afetam nem um tantinho. Ele levanta, limpa o sangue de seu rosto no lençol e sai alucinado pelos corredores. Eu vou atrás. Eu aqui represento o espectador, e não me pergunte porquê, mas além de ser uma figura masculina, eu estava comendo fandangos enquanto o observava. O segui pelo corredor, até o momento em que ele resolveu pegar as escadas, pois é assim que se foge nos cinemas. Ainda o vi através do corrimão enferrujado, descendo alguns lances de escada. E de súbito parei. Precisava voltar. Talvez um estalo ético me pedindo para ajudar aquela pobre coitada. Talvez fosse o despertador, aos berros a anunciar que já estava na hora de acordar.