passos
O mundo lá fora o desafiava a grandes obstáculos, enormes decepções, deliciosas conquistas, mas ele continuava ali, em seu quarto, sentado a ouvir músicas melancólicas. Mas ele não estava triste, não. Ele estava degustando cada palavra, cada nota, cada som. Tudo em sua vida sempre foi assim, va-ga-ro-sa-men-te degustado, digerido, experimentado. Mesmo as amizades passavam por esse processo de aprendizado. Alguns diziam ser ele uma pessoa estranha, que só queria chamar a atenção. Outros clamariam aos quatro cantos do mundo o quão carente ele era. E alguns poucos desatariam seus próprios nós, abreriam seus braços e vivenciariam toda essa gostosa loucura que era estar ao lado dele. Não sei ao certo quando meus olhos encontraram os dele, nem me lembro quais foram nossas primeiras palavras trocadas [certamente algo fora do padrão]. Entretanto, me lembro das extensas horas de conversas que aconteciam não importa onde, desde que estivéssemos ali, juntos. Me lembro de ter amanhecido o dia ao t...