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Mostrando postagens de novembro, 2012

Leitura do dia!

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Solidão [Luis Fernando Verissimo] Finalmente liberadas as gravações que a Nasa fez das experiências realizadas com o tenente da Marinha John Smith para testar o comportamento humano em condições de completo isolamento durante longos períodos de tempo, iguais ao que o homem terá que enfrentar na exploração do espaço. O tenente Smith foi escolhido pelas suas perfeitas condições físicas e mentais. Foi colocado dentro de um simulador de voo com comida bastante para dois anos e os instrumentos que normalmente levaria numa missão, inclusive um computador. Todos os dias Smith teria que fazer um relatório verbal para que seu estado fosse avaliado. O que segue são trechos das gravações feitas dos seus relatórios. Primeiro dia. "Meu nome é John Smith. Estou ótimo. Passei todo o dia me familiarizando com este meu pequeno lar. Já desafiei o computador para uma partida de xadrez. Acho que nos daremos muito bem. (Risadas.) Só tenho uma queixa: esta comida em bisnagas não se parece n...

Leitura do dia!

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As infláveis [Luis Fernando Verissimo] Como se compra uma mulher inflável? Foi a pergunta que me fiz um dia, e não soube me responder. Você entrava num "sex shop" e pedia para ver o que eles tinham? (Você: "Mulher inflável?" Balconista: "No fundo, entre os arreios e as bolinhas japonesas.") Não, pensei. Sex shops não deviam vender mulheres infláveis, a não ser os mais bem estocados. Talvez se comprasse pelo correio. Pela internet, isso. Procurei mulher inflável no Google. E encontrei! Mulheres feitas de vinil, da cor que se quisesse, em tamanho natural, com algo chamado de Cyber Skin nos orifícios. Vinham numa caixa. *    *    * Como seria a caixa? Parecida com uma embalagem de pizza, com a mulher dobrada dentro? Viria uma bomba de ar junto ou você mesmo teria que assoprar para enchê-la, no primeiro ato de intimidade entre os dois? Você lhe dando vida com seu sopro, como o Deus da criação. Depois passando a mão pela sua pele d...

Victoria

Capítulo 3 - Knut Hamsun Mas o que era o amor? Um vento que sussurra entre as rosas? Não, uma fosforescência amarelada no sangue. O amor era uma música de um fervor infernal, que pode fazer dançar o coração dos velhos. Era como a margarida que se abre totalmente com o aproximar da noite, era como uma anémona que se fecha ao mais ténue sopre e morre quando é tocada. O amor era isso. Podia destruir um homem, reerguê-lo para o destruir de novo. Podia amar-me a mim hoje, a ti amanhã e a ele à noite, de tal modo era inconstante. Mas também podia permanecer solidamente intacto, como um selo de lacre inviolável e podia arder inextinguível até à hora da morte, porque era eterno. O que era então o amor? Oh! O amor é uma noite de Verão com estrelas no céu e fragrâncias na terra. Mas porque encoraja o jovem a fazer desvios e porque leva o velho a erguer-se na ponta dos pés no seu quarto solitário? Ah! Porque o amor transforma o coração do homem num jardim de cogumelos, um opulent...

Aurora Boreal

Aurora Boreal Quando ouvi falar pela primeira vez em aurora boreal, coloquei em minha alma como missão de vida que um dia me deitaria sob tal efeito, e ali permaneceria, até que me encontrasse em perfeito equilíbrio.  Promessas de criança, mas essa sensação eu nunca perdi. Sempre que vejo um vídeo ou fotos sobre a aurora boreal sinto forte dentro de mim essa vontade de poder ver, com meus próprios olhos, tanta beleza reunida.  Segundo o Wikipedia :  A aurora polar é um fenômeno óptico composto de um brilho observado nos céus noturnos nas regiões polares, em decorrência do impacto de partículas de vento solar e a poeira espacial encontrada na via láctea com a alta atmosfera da Terra, canalizadas pelo campo magnético terrestre. Em latitudes do hemisfério norte é conhecida como aurora boreal (nome batizado por Galileu Galilei em 1619, em referência à deusa romana do amanhecer, Aurora, e ao seu filho, Bóreas, representante dos ventos nortes), ou luzes do Nort...

Ao som de...

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Ao som de... Sigur Rós - Ágætis Byrjun Às vezes o vento parece falar mais baixo, como se pedisse ao pé do ouvido promessas das quais nem lembraremos. ( E como sinto falta dessas promessas, ... e do vir aconchegante que elas me proporcionavam. ) Se tudo fosse assim, fácil, e se resumisse em palavras amontoadas! Mas é preciso ação, e toda ação é tão difícil.  Demanda forças que nem sempre sabemos que temos, mesmo estando ali, adormecidas. Até mesmo um abraço é difícil, exige romper barreiras tão íntimas, tão nossas. Às vezes o vento parece falar mais baixo, como se pedisse ao pé do ouvido promessas que ele sabe nunca cumpriremos. ________________________________________________________________________ ps: a cada ano que passa, as conversas com você continuam sempre no mesmo tom delicioso e despretensioso que tanto gosto!  obrigada, por se manter on line em minha vida!

Leitura do dia!

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O que cada um tem por dentro [Luis Fernando Veríssimo] Ela tem, delegado, um nariz arrebitado, mas isso não é nada. Nariz arrebitado a gente resiste. Mas a ponta do nariz se mexe quando ela fala. Isso quem resiste? Eu não. Nunca pude resistir a mulher que quando fala a ponta do nariz sobe e desce. Muita gente nem nota. É preciso prestar atenção, é preciso ser um obsessivo como eu. O nariz mexe milímetros. Para quem não está vidrado, não há movimento algum. Às vezes só se nota de determinada posição, quando a mulher está de perfil. Você vê a pontinha do nariz se mexendo, meu Deus. Subindo e descendo. No caso dela também se via de frente. Uma vez ela reclamou, "Você sempre olha para a minha boca quando eu falo". Não era a boca, era o nariz. Eu ficava vidrado no nariz. Nunca disse pra ela que era o nariz. Delegado, eu sou louco? Ela ia dizer que era mentira, que seu nariz não mexia. Era até capaz de arranjar um jeito de o nariz não mexer mais. Mas a culpa, delegado...

Leitura do dia!

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Contemplando o fogo [Luis Fernando Verissimo] Sustento que não foi o clima frio que favoreceu o crescimento de civilizações mais avançadas. É que os habitantes de climas frios passaram mais tempo contemplando o fogo. Os povos de climas quentes têm menos necessidade de fogo para aquecê-los, por isso foram privados das divagações que vêm com a contemplação do fogo e são menos filosóficos e mais superficiais. Nos climas frios, de tanto olhar as chamas qualquer pessoa acabaria desenvolvendo, se não escatalogias ou sistemas ontológicos completos, pelo menos teses. Foi contemplando o fogo de uma lareira, no último inverno, que desenvolvi a minha. Ou teria sido o conhaque? Os povos de clima quente têm a experiência direta do sol na cabeça, os de clima frio experimentavam o sol armazenado na madeira, portanto o sol intermediado, reciclado pelo tempo. O fogo armazenado é o sol de segunda mão, quase uma versão literária. Olhar para o sol transformado em fogo domesticado leva a a...

Baile do Cafona 2012

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No último sábado eu tive o prazer de participar de um evento bem diferente aqui em Petrópolis: o Baile do Cafona ! Apesar de ser um evento conhecido na cidade, eu só tomei ciência dele este ano (ainda bem que a tempo de participar). O baile é embalado pela banda Toddymall Band que se apresenta à caráter. Durante todo o show, os integrantes da banda (bem como outros performances) vão mudando o figurino de acordo com a temática das músicas. Um verdadeiro espetáculo! Mas por que cargas d'água estaria eu escrevendo sobre um baile onde as pessoas vão vestidas de cafona? Além de toda a diversão esperada em um baile como esses, eu vivenciei situações que me trouxeram bem-estar e alegria. Por isso dedico estas poucas linhas para compartilhar de tais sentimentos. A primeira experiência que me chamou a atenção foi o fato de todo o público estar à caráter no baile. As pessoas realmente se dedicaram no figurino. Parecia um verdadeiro bloco de carnaval! O baile tem até um concu...

Gentileza saborosa

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Hoje eu vivenciei uma experiência interessante. Há algum tempo eu conheci um rapaz carinhoso aqui em Petrópolis, chamado Hélito Couto. Um dia eu estava indo fazer compras e ele estava arrecadando alimentos para doação. E ali nós fizemos nossos laços. Sempre que eu posso, faço arrecadações onde trabalho e levo para ele. O Hélito lidera um projeto denominado Projeto C3, onde ele auxilia crianças e adolescentes da cidade de Petrópolis a melhorarem seus estudos, a aprenderem sobre artes e esportes, e o mais importante, a aprenderem na pele o significado da palavra respeito. Há pouco tempo o Hélito conseguiu uma casa maior para abrigar o projeto, conhecida como Casa Verde. Entretanto, como os gastos são gigantescos, e o projeto é movido à base de doações, o Hélite pretende dar um grande e importante passo: comprar a casa. Mas para isso ele precisa de muita ajuda! Bom, é aqui que entra minha experiência. Eu já estava há um tempo querendo fazer uma doação ao projeto. Mas hoje eu tive...

Sandubas

Hoje foi um dia surpreendente. Que bom!  Ando em uma fase bem interessante. Há pouco mais de um ano passei por um término de namoro conturbado, e que me rendeu muito sofrimento e aprendizado. O namoro levou um pouco mais de um ano, e nesse período acabei me afastando da família e dos amigos por alguém que, ao final, conseguiu provar que não merecia tanto assim de mim (talvez de ninguém). O pior afastamento foi o de mim mesma. Deixei de tomar algumas vitaminas que preciso, por puro esquecimento, e hoje em dia estou com deficiência de algumas delas... Quando o namoro enfim acabou, eu me encontrava então muito diferente. Um pouco impaciente talvez, egoísta talvez. Não sei ao certo, mas sei que mudei e muito. Sei que passei a depositar menos confiança nas pessoas. E aprendi a arte de não me importar demais com os problemas alheios. Afinal de contas, a consequência de um ato é poesia, e não tem nada mais sublime do que ver aquele que o praticou, sofrer. Desde então tenho de...