Sandubas
Hoje foi um dia surpreendente. Que bom!
Ando em uma fase bem interessante. Há pouco mais de um ano passei por um término de namoro conturbado, e que me rendeu muito sofrimento e aprendizado. O namoro levou um pouco mais de um ano, e nesse período acabei me afastando da família e dos amigos por alguém que, ao final, conseguiu provar que não merecia tanto assim de mim (talvez de ninguém). O pior afastamento foi o de mim mesma. Deixei de tomar algumas vitaminas que preciso, por puro esquecimento, e hoje em dia estou com deficiência de algumas delas...
Quando o namoro enfim acabou, eu me encontrava então muito diferente. Um pouco impaciente talvez, egoísta talvez. Não sei ao certo, mas sei que mudei e muito. Sei que passei a depositar menos confiança nas pessoas. E aprendi a arte de não me importar demais com os problemas alheios. Afinal de contas, a consequência de um ato é poesia, e não tem nada mais sublime do que ver aquele que o praticou, sofrer.
Desde então tenho desenvolvido novas maneiras de convívio social. Uma das que mais gosto (e pratico) é simplesmente sair para algum lugar agradável, tomar uma cerveja gelada e ficar observando as pessoas interagindo. É surpreendente poder observar essa dinâmica, e até mesmo conseguir antever alguns atos (e suas respectivas consequências). Algumas vezes esbarro com velhos e bons amigos, e a noite ganha um sabor nostálgico. Noutras até faço novas amizades, com novos sabores. Mas em todas o final é o mesmo: retorno para casa e me ponho a dormir ali, abraçada aos travesseiros.
Hoje o dia foi surpreendente. Consegui sair com alguns amigos (desses velhos e bons) para fazer um lanche no Sandubas! Esse lugar é incrível, sai ano, entra ano, e eles continuam do mesmo jeitinho, fazendo os mesmos sanduíches gigantescos e saborosos como todo bom podrão tem de ser. E ali nós comemos muito e conversamos muito. E como de praxe, estava me preparando para pedir carona a algum lugar legal, onde ficaria sozinha a observar a noite. Mas o papo estava tão bom! E eles não demonstraram vontade de ir embora... Fomos ficando e papeando! Falamos de amigos em comum, relembramos episódios cômicos da época da faculdade, falamos dos projetos atuais e do futuro! Nossa, como falamos! E como sempre fizemos promessas de reencontros (que nunca acontecem como planejado, mas pelo menos acontecem!). E enquanto a hora passava, fizemos daquela mesa o nosso divã! E revezávamos nos papéis de psicólogo e paciente. E reafirmamos laços, matamos saudades, olhamos nos olhos. Foi incrível. Tão incrível que senti novamente, depois de tanto tempo, como é gostoso fazer parte da dinâmica, e não ser o observador apenas. Me senti parte de algo. E de algo forte, extenso em bagagem histórica e propenso a frutos futuros. Senti as minhas raízes fincando ao chão. Eu me senti, como há muito não o fazia!
Dizem que somos aquilo que comemos. E hoje me alimentei do que há de melhor nessa vida: a amizade! E minha cabeça começou a se encher de planos malucos. Um possível retorno, talvez. Bah, deve ser o sono que me embriaga (já que a gelada ficou para um outro dia, qualquer).
Hoje o dia foi surpreendente.
Mas o hoje já virou ontem.
E passo ao amanhã a difícil tarefa: surpreenda-me!
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