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Mostrando postagens de julho, 2013

Nós e o tempo

O tempo é de uma crueldade saborosa. Em termos de ação ele é passivo, constante em suas passadas. E ainda insistimos em culpá-lo de tanta pressa ou por vezes demorar a passar. E apesar de ser nele onde gravamos nossa existência, quase nunca ele está do nosso lado. Temos, nós e o tempo, uma relação deveras delicada. Gosto de pensar no tempo como um chefe de família, soberano, majestoso. Penso nele ali, confortável em sua poltrona a observar nossos tropeços. Cada vez que o fitamos em busca de respostas, ou aprovação de nossos atos débeis, ele continua ali, imóvel. Buscamos qualquer pequena alteração que entregue seus pensamentos, mas essas não existem. E de tanto fitar, juramos de pés juntos, termos avistado um sinal, um lampejo qualquer que fundamente nossas decisões.  Quanto tempo perdido.  Em sua maioria, gastamos nosso tempo buscando aquilo que achamos necessitar. E nesse tempo, temos a sensação de não termos tempo disponível. Embebido de pura ironia, é nesse exat...

Registro pessoal

Produzido em 30 de junho de 2013, às 15:14 Permissão para mulherzice (desculpe a extensão) Eu devia falar isso, mas não consigo arrumar os pensamentos enquanto falo, e acabo me embolando. Por isso via texto. Eu gosto muito de você, muito mesmo, mas eu queria poder aparar algumas arestas, e acredito que já temos confiança um no outro pra isso (mesmo eu preferindo escrever ao inves de falar). Ontem você me falou muito sobre sua tática de se colocar em uma situação emocional diferente do seu interesse. E eu não consegui entender até agora porque vc me disse isso. Parecia que vc queria me dizer alguma coisa, mas eu nunca alcanço. E é o tipo de coisa que vai ficar martelando na minha cabeça por dias... Enfim, eu queria esclarecer algumas coisas para que eu possa tirar de vez essas preocupações banais da cabeça.  Como vc enxerga nossa relação? À princípio eu achava que era apenas sexo, mas você tem toda uma estrutura de carinho e aconchego embutida que é deliciosa. Mas ...

Fuga alucinada

Barulhos de helicóptero. Ela acorda e percebe estar toda ensanguentada. Ele ainda está por cima dela, preocupado com o barulho que o denuncia. Os gemidos de dor da puta envolvida em vinil não o afetam nem um tantinho. Ele levanta, limpa o sangue de seu rosto no lençol e sai alucinado pelos corredores. Eu vou atrás. Eu aqui represento o espectador, e não me pergunte porquê, mas além de ser uma figura masculina, eu estava comendo fandangos enquanto o observava. O segui pelo corredor, até o momento em que ele resolveu pegar as escadas, pois é assim que se foge nos cinemas. Ainda o vi através do corrimão enferrujado, descendo alguns lances de escada. E de súbito parei. Precisava voltar. Talvez um estalo ético me pedindo para ajudar aquela pobre coitada. Talvez fosse o despertador, aos berros a anunciar que já estava na hora de acordar.

Gosto tanto de você

O que eu quero de você, sei que nunca terei. Portanto, preciso aprender a conviver com isso. Eu gosto tanto de você a ponto de querer te ler no olhar, ser capaz de te decifrar, saber quando você precisa conversar, ou compartilhar uma xícara de café, ou apenas uma rapidinha no fim da tarde. Eu gosto tanto de você que queria saber o momento certo de te abraçar, ou de te beijar, ou de simplesmente ficar te olhando, assim, quietinha no meu canto. Eu gosto tanto de você que não queria sentir essa dúvida gigantesca antes de te telefonar. Eu gosto tanto que eu só queria fazer, sem pensar e pensar e pensar. Mas para isso eu preciso ter a certeza de meus atos. Eu gosto tanto de você que sinto o seu cheiro enquanto vivo, e meus dedos clamam pelo toque seu. E a sua pele é de uma maciez nunca antes experimentada... Eu gosto tanto de você que sou capaz de mudar minha rotina, independente das consequências que isso possa me trazer. Eu gosto tanto de você que queria apenas ter certeza, sem margens p...

Desatam-se os nós

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Eu desconheço a autoria da foto acima, mas conheço e muito o significado dela. E pode ter certeza que a diferença é gigantesca. Em meus últimos relacionamentos pratiquei a entrega total e descobri na pele o ardor da dor. Descobri também a minha capacidade de amar e que existe uma força fenomenal dentro de nós toda vez que nos encontramos em situações de grande risco emocional. Sentir isso tudo dentro de mim foi maravilhoso. Entretanto, a vontade de compartilhar com alguém, de dividir esse sentimento era tão grande que me esquecia de prever primeiro até onde eu poderia dividir sem me machucar. Existem certas coisas em que é preciso ter uma confiança muito grande na outra pessoa para enfim poder compartilhá-las.  E eu pequei em demasia ao confiar demais. Os relacionamentos passam, e ficam gravados em nós os ensinamentos. Alguns marcam profundo. Algumas pessoas machucaram tanto que conseguiram abrir atalhos em minha essência, provocando mudanças. Antes acreditava piamen...

Sobre plantas

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Ao som de...

Quando o som preenche todo o espaço. Quando não há dúvidas. Quando cada parte de você entende o que se passa, sem hesitar. Quando. É quando sinto medo. Pois a consciência é tamanha que me permite perceber que já sou sem precisar ser. Só! Cada nota penetra em sua alma com a frieza de uma gota de orvalho, e lhe dilacera, sem piedade alguma sequer. Pudera eu voltar ao tempo que se foi. Pudera eu ter feito do caminho o mais longo a ser percorrido. Se eu soubesse tanto, há tempos. Se apenas soubesse. As decisões teriam sido outras e os caminhos, ah os caminhos. Teria sentido cada pedra que nele houvesse, sem reclamar. Teria agradecido por cada bolha gerada em meus pés, como se fossem únicas. Teria, apenas. Como se não houvesse amanhã. Teria. E não há tempo? Sempre há, dizem. Sempre há. Àqueles que ainda acreditam, àqueles que ainda sentem, e esperam, sempre há. Àqueles que ainda não o sabem. Sempre há. Assim espero. Pois que para mim cabe o sentar e deixar passar. Pois que para mim cabe ap...

Ter ou não ter namorado, eis a questão

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Artur da Távola Fonte:  http://www.jornaldepoesia.jor.br/autoria.html#namorado Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difíc il porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da ch...