Nós e o tempo
O tempo é de uma crueldade saborosa. Em termos de ação ele é passivo, constante em suas passadas. E ainda insistimos em culpá-lo de tanta pressa ou por vezes demorar a passar. E apesar de ser nele onde gravamos nossa existência, quase nunca ele está do nosso lado. Temos, nós e o tempo, uma relação deveras delicada. Gosto de pensar no tempo como um chefe de família, soberano, majestoso. Penso nele ali, confortável em sua poltrona a observar nossos tropeços. Cada vez que o fitamos em busca de respostas, ou aprovação de nossos atos débeis, ele continua ali, imóvel. Buscamos qualquer pequena alteração que entregue seus pensamentos, mas essas não existem. E de tanto fitar, juramos de pés juntos, termos avistado um sinal, um lampejo qualquer que fundamente nossas decisões. Quanto tempo perdido. Em sua maioria, gastamos nosso tempo buscando aquilo que achamos necessitar. E nesse tempo, temos a sensação de não termos tempo disponível. Embebido de pura ironia, é nesse exat...