Desatam-se os nós
Eu desconheço a autoria da foto acima, mas conheço e muito o significado dela. E pode ter certeza que a diferença é gigantesca. Em meus últimos relacionamentos pratiquei a entrega total e descobri na pele o ardor da dor. Descobri também a minha capacidade de amar e que existe uma força fenomenal dentro de nós toda vez que nos encontramos em situações de grande risco emocional. Sentir isso tudo dentro de mim foi maravilhoso. Entretanto, a vontade de compartilhar com alguém, de dividir esse sentimento era tão grande que me esquecia de prever primeiro até onde eu poderia dividir sem me machucar. Existem certas coisas em que é preciso ter uma confiança muito grande na outra pessoa para enfim poder compartilhá-las.
E eu pequei em demasia ao confiar demais.
Os relacionamentos passam, e ficam gravados em nós os ensinamentos. Alguns marcam profundo. Algumas pessoas machucaram tanto que conseguiram abrir atalhos em minha essência, provocando mudanças. Antes acreditava piamente que era preciso dar-me um motivo para então começar a desconfiar. Hoje exijo inúmeros motivos para que haja a confiança. Alguns dirão que isso é evolução, outros que estou sendo rígida por demais.
Eu não sei ainda o que é, só sei o que sou.
Por mais estranho que possa parecer, não é o fato de ter mudado que me incomoda. Toda aquela capacidade de amar e de lutar por alguém ainda existe forte aqui dentro, e não me arrependo de nenhum momento em que usei. O que me incomoda é poder perceber que as pessoas não se dão ao trabalho de criar laços de confiança. Os relacionamentos, seja o tipo que for, estão superficiais demais. Precisa-se de pouco para se deixar de existir. Quando, na verdade, uma confiança precisa ser maturada, trabalhada no tempo e no espaço. É preciso lapidar cada aresta com muita calma, muita paciência e muito diálogo. É um processo tão demorado que vale a pena aprender a saborear cada etapa. Infelizmente, não nos permitimos mais. Preferimos trocar olhares com a tela fria de um computador a nos expor ao calor invasivo de uma alma pulsante. Preferimos a certeza do viver só, aos julgamentos dos que nos rodeiam.
Dentro de cada ser a verdade é quase absoluta.
Uma pena que eu esteja cansando de tentar. Uma pena, porque confiar abre tantas oportunidades. Hoje estou rodeada de pessoas interessantes, cheias de vida e de verdades. Mas pouquíssimas são as que me permitem lê-las por inteiro. Menos ainda são as que se interessam por me decifrar. Sou apenas mais um que passa em suas vidas. Sou apenas mais um ser enjaulado em suas próprias verdades. Não passo de um livro empoeirado jogado no canto da estante onde apenas me tocam a capa, esquecendo a imensidão de sabores que minhas páginas podem proporcionar. E juntos, formamos uma imensa biblioteca.
"Eu não temo amar. Eu temo confiar."

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