Ao som de...

Quando o som preenche todo o espaço. Quando não há dúvidas. Quando cada parte de você entende o que se passa, sem hesitar. Quando. É quando sinto medo. Pois a consciência é tamanha que me permite perceber que já sou sem precisar ser. Só! Cada nota penetra em sua alma com a frieza de uma gota de orvalho, e lhe dilacera, sem piedade alguma sequer. Pudera eu voltar ao tempo que se foi. Pudera eu ter feito do caminho o mais longo a ser percorrido. Se eu soubesse tanto, há tempos. Se apenas soubesse. As decisões teriam sido outras e os caminhos, ah os caminhos. Teria sentido cada pedra que nele houvesse, sem reclamar. Teria agradecido por cada bolha gerada em meus pés, como se fossem únicas. Teria, apenas. Como se não houvesse amanhã. Teria. E não há tempo? Sempre há, dizem. Sempre há. Àqueles que ainda acreditam, àqueles que ainda sentem, e esperam, sempre há. Àqueles que ainda não o sabem. Sempre há. Assim espero. Pois que para mim cabe o sentar e deixar passar. Pois que para mim cabe apenas o que há. E nada mais. O que escorre à borda pertence apenas às almas intocáveis. Às capazes de expandir além de seus limites. Àquelas que voam! 

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Essa noite eu tive um sonho. Eu lhe tive em meus braços, inerte, sem vida. Essa noite eu tive um sonho, e nele sua carne transbordava a morte. E por tempos lhe tive assim. Cada detalhe, cada frieza gravada em sua derme, eu pude observar. Essa noite eu lhe perdi, para sempre. E fui incapaz de te ouvir, ao amanhecer.

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