Fuga alucinada
Barulhos de helicóptero. Ela acorda e percebe estar toda ensanguentada. Ele ainda está por cima dela, preocupado com o barulho que o denuncia. Os gemidos de dor da puta envolvida em vinil não o afetam nem um tantinho. Ele levanta, limpa o sangue de seu rosto no lençol e sai alucinado pelos corredores. Eu vou atrás. Eu aqui represento o espectador, e não me pergunte porquê, mas além de ser uma figura masculina, eu estava comendo fandangos enquanto o observava. O segui pelo corredor, até o momento em que ele resolveu pegar as escadas, pois é assim que se foge nos cinemas. Ainda o vi através do corrimão enferrujado, descendo alguns lances de escada. E de súbito parei. Precisava voltar. Talvez um estalo ético me pedindo para ajudar aquela pobre coitada. Talvez fosse o despertador, aos berros a anunciar que já estava na hora de acordar.
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