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Mostrando postagens de abril, 2013

Leitura do dia!

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Alter ego virtual Mário Persona A família inteira correu para o computador, quando uma voz nada familiar invadiu o mezanino da casa onde morávamos. Estávamos em 1997 e eu acabara de fazer minha primeira conexão de voz usando um programinha paleolítico que veio num disquete de revista. Naquele tempo os programas de Internet eram baixados das bancas. A conexão estava por um fio e qualquer solavanco era capaz de derrubá-la. Quando caía, era preciso ficar discando para o provedor de Internet até conseguir linha e ouvir o teré-té-té do modem, cuja embalagem dizia ser "High Speed" . - Hello? - arrisquei, sem saber com que língua o outro teclava. - Hi, how are you? - respondeu a voz alienígena dando início a um papo furado que iria durar mais de uma hora. Dez anos depois interagir online com pessoas de outros lugares tinha virado lugar comum. Então alguém inventou uma mescla de game "Wolfenstein 3D" com shopping, clube de campo e danceteria e ...

Desabafo

Não é dor... Parece vazio, mas onde se esconde a leveza então? A vontade é de fugir sem ter destino onde parar. Meus pensamentos já não se sustentam onde vivo. Nem como vivo. Minhas palavras parecem desconexas para os que as escutam, enquanto pra mim estão embebidas do mais puro sentido. Encharcadas de tanta razão que chegam a pesar, poucos segundos antes de saírem de mim. Eu existo, mas não em mim... E onde estou não me interessa nem um tantinho. [texto escrito em 21 de Outubro de 2012, às 2:02 da manhã]

Só pra te mostrar

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Herbert Vianna consegue mesmo me levar às lágrimas, na medida certa. Talvez não tenha letra mais completa no momento. Dessa vez, abrirei as aspas (desejando fortemente que se demorem a fechar) e dou a palavra ao próprio.  --------------------------------------- Só pra te mostrar [Herbert Vianna] Não quero nada Que não venha de nós dois Não creio em nada Do que eu conheci  Antes de te conhecer Queria tanto te trazer aqui Pra te mostrar  Só pra te mostrar por quê Não há nada que  Ponha tudo em seu lugar Eu sei O meu lugar está aí Não vejo nada, Mesmo quando acendo a luz Não creio em nada Mesmo que me provem certo como dois e dois As plantas crescem em nosso jardim Pra te mostrar, só pra te mostrar por que Não há nada que ponha tudo em seu lugar Eu sei O meu lugar está aí

Filosofia de botequim virtual

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Tabacaria

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Álvaro de Campos, 15/01/1928 Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, E não tivesse mais irmandade com as coisas Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada De dentro da minha cabeça, E uma sacudidela dos meus nervos e um r...

Batida

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013 Você procura fazer tudo dentro do esquema, leva o lixo pra fora, lava a louça, cumpre com seus horários e responsabilidades, paga as contas em dia, ajuda o próximo, lembra do aniversário da galera, se esforça para ser educada mesmo nos seus piores dias, mantém seus princípios intactos mesmo quando o mundo pede que os corrompe. Enfim, o esforço é diário e a longo prazo. Mas você faz, sem medir esse  esforço, sabendo que é certo, que vai garantir o seu descansar ao chegar à noite. E aí vem uma situação, apenas alguns segundos, e consegue fazer você se sentir o lixo do lixo. Hoje pela manhã bateram no meu carro. Foram alguns segundos apenas, para me encher de tanto sentimento ruim. Ninguém se machucou, ainda bem. O estrago se concentrou em uma porta apenas, ainda bem. O culpado vai arcar com os custos, ainda bem. Mas nada disso foi o suficiente para tirar esse peso de dentro de mim. Às vezes levamos uma eternidade para conseguir poucas coisa...

Carros de Som

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013 Quando eu reclamo desses carros que passam com funk nas alturas, não o faço por uma questão de gosto (ou falta de) musical. Não, meu amigo do carro empinado, eu reclamo por uma questão muito mais básica: o respeito. Você poderia escolher estourar os próprios tímpanos no embalo de Bolero de Ravel que, ainda assim (acredite), eu reclamaria. Coincidentemente, aqueles que faltam com respeito estão sem pre ouvindo esse tipo de música, fazer o que. E, o que é pior, eles vivem em bandos e já não se importam com os modos primitivos com os quais convivem. Desta forma, nem adianta aconselhar a gastar míseros 10% do que gastam com esses equipamentos musicais para investir na própria educação. De nada vai-lhes servir no seu habitat. Resta-nos o trabalho dobrado de ter respeito e paciência. E um estoque vitalício de neosaldina!  . . . ps.: pior de tudo é ter a ciência de que esse recado não vai atingir nem de longe aos que precisam, pois a vibr...