Surpresas danadas de boa!


Hoje, como todo 3 de setembro, desde o ano de 1982, foi o meu aniversário. Hoje eu completei 31 anos de idade, e como todo aniversário, recebi os cumprimentos de amigos e familiares. Mas hoje, diferente de quase todos os outros anos, a surpresa se aprofundou em minha alma. Aos que me conhecem de longa data sabem que o aniversário não representa muito para mim, e não falo isso com tom de rancor ou drama. Eu nunca me importei mesmo com as comemorações. Já cheguei ao absurdo de esquecer do dia, dito tão especial. Entretanto, esse ano de 2013 veio para quebrar os protocolos. E começou no dia anterior, o qual passei a tarde na cidade do Rio de Janeiro com dois amigos do doutorado resolvendo pendências de teses. Eu estava tão feliz de estar ali com o Gastão e o Leandro, compartilhando de boas histórias, que pela primeira vez senti a vontade de falar, com o sorriso escancarado, que o dia seguinte seria meu aniversário, mas que aqueles momentos juntos já se faziam sentir como sinceras comemorações. O dia foi se esticando e fizemos uma pausa na casa de meus primos Rachel e Demétrius, para filar um café. E mais uma vez me senti à vontade de falar sobre o aniversário. Ao findar do dia, fomos ao Aeroporto Santos Dumont buscar o Aaron, um goiano que entrou esse ano para a pós-graduação e conquistou meu coração. Fechamos o dia a brindar pelos bons momentos e, ali, eu me senti plena. Em paz e em boa companhia. O que mais eu poderia querer?

Hoje eu acordei já recebendo os melhores carinhos que uma pessoa pode ter. E me preparei para ir para o laboratório. Alguns amigos vieram me felicitar e eu recebi os abraços, já sem nem mesmo lembrar que outrora esse dia de nada importou. E segui com a rotina de estudos. Já no início da tarde recebi um dos abraços mais intensos do dia. A Maiana, uma baiana arretada que tem sido meu porto seguro, me fez cair em lágrimas ao reafirmar a importância de nossa amizade. E eu me senti uma boba, ali chorando e sem ao menos ser capaz de retribuir o abraço apertado. Fiquei sem jeito. Me recompus e retornei aos estudos. Até que a baiana me levou para tomar o expresso de todo dia e, ao chegar na cantina, lá estavam eles, os amigos e um bolo maravilhoso me esperando para a surpresa!



Pensa numa pessoa sem chão.

Pensa naquele momento em que o ar se faz ausente.

Pensa num único pensamento intermitente: "eu não acredito!".



Eu quis voltar. Eu tentei parar os pés no chão, mas Maiana seguia me guiando. Eu quis voltar. Eu precisava voltar. Aquilo não estava certo. Por uma boa parte de minha vida o sentido das coisas era eu estar no controle, eu estar na organização, agitando e arrumando as festas. Quantas vezes estive envolvida em planos mirabolantes para fazer dar certo aqueles pequenos segundos de surpresa. E agora eu me encontrava do outro lado, desnuda, impotente, exposta. As lágrimas pediram caminho e num esforço hercúleo mandei-as de volta. As pessoas cantavam o parabéns e eu só queria poder abraçar todas de uma única vez. Eu não sabia o que fazer. Mas pela primeira vez, em tantos, eu me senti feliz por ser hoje o meu aniversário!

Acredito que nem agradeci direito a todos. E aproveito o momento para fazê-lo. A cada um de vocês, obrigada, de verdade. Talvez vocês não façam ideia da importância desse acontecimento. Mas hoje eu me senti querida e abraçada. Hoje eu me senti presente em tantas outras vidas, e o peso disso é gigantesco. E ficar sabendo depois de como foi a organização, quem comprou o que e a ansiedade de que eu não desconfiasse, foi ainda a melhor parte disso tudo. Foi, de longe, a melhor comemoração de aniversário que eu já recebi! Pois eu a recebi de coração aberto! 

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