Decepção
Sicilia Ferreira Judice
[texto escrito em 26 de Dezembro de 2011]
Descobri que o mundo é menor do que descrevem os mapas. E que apesar da diversidade de idiomas, todos falamos as mesmas baboseiras. Descobri que as angústias se repetem, e que a nostalgia não passa de um reflexo da mudança de postura. Descobri que gastamos fôlego inventando moralismos para esconder o que somos, e descobri que somos verdadeiramente o que somos perante aqueles que nos são desconhecidos. Cada um de nós carrega consigo as duas faces, decidindo qual usar de acordo com o que lhe for conveniente. Sempre em proveito próprio. Pode apostar. Descobri que somos incansáveis em nossa busca pelo conhecimento, mas nem sempre a verdade nos convém. Descobri que o mundo é um jogo inventado por nós, e batalhamos todos os dias por aprovação de nós mesmos. Nós escolhemos deixar de viver, em troca dessa encenação toda. Descobri que todos se entorpecem, enquanto erguem bandeiras contraditórias às suas vontades. O mundo é uma bolha de vícios, sendo a mentira o principal propulsor desse maquinário. Descobri que o amor tem inúmeras interpretações, e a chance de encontrar alguma que coincida com a tua é ínfima. E mesmo assim dedicamos boa parte de nosso organismo na busca insana de tentar fazer dar certo. Descobri que perante os animais, somos soberanos por sermos detentores da razão. Mas não somos capazes de nos atermos às necessidades básicas, inventando mais e mais motivos pelos quais nos preocupar. Descobri que estamos todos mortos, desde o dia em que nascemos. E que tudo é uma questão de tempo.
O pior de tudo, é que eu descobri que ter descoberto tudo isso me levou a uma posição marginal. Eu vejo tudo passar diante dos meus olhos, e tenho total consciência que nada posso fazer. Porque não vale o esforço. A falência está declarada.
Descobri que tenho força para fazer a diferença.
Mas cheguei na hora errada.
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