MSG para você!
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Siça, boa noite. E ae, como você está?
Acabei de ter um sonho com você...
Você parecia triste, e pedindo
para voltar para nossa casa.
Ta acontecendo nada com você não, neh?
Mande notícias. Bjão!
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Esta foi a mensagem que recebi, no início da madrugada de hoje, de meu irmão, Hugo. E tudo o que eu pude te responder (maldito limite de SMS) foi que está tudo bem sim, apesar do cansaço e dessa saudade de casa. Mas eu queria ter dito mais, eu queria ter dito por horas e horas, se eu pudesse. Eu ando triste sim, meu irmão. Mas não é nada alarmante, nada para se preocupar.
É dessas tristezinhas da vida...
É dessas tristezinhas da vida...
Nas últimas semanas tenho lembrado com tristeza de nossa família e nossa casa sim. E por vezes pedi que o vento me transportasse para lá... Mas então, o vento fica gélido e invade minh'alma sem cerimônia alguma, e essa tristeza toma conta, ao perceber que nossa casa não mais existe, e que nossa família está escondida em retalhos de nossas memórias. São só memórias. Aquela fortaleza de união desmoronou e, por mais que a gente não queira acreditar, o que sobrou fomos nós, as ruínas!
Ando triste também pela coleção de decepções que tenho agrupado por aqui. Não que eu esteja arrependida de ter saído de casa, não mesmo! Foi a maneira mais rápida (e dolorosa) de aprender a viver. Mas é incrível como a conveniência faz aproximar pessoas vazias. E por inúmeras vezes eu me vi preocupada e envolvida com pessoas que nada tinham a me oferecer, e se mantinham ao meu lado enquanto minha ajuda fosse conveniente. Mas quando a corda arrebentava pro meu lado, elas sumiam! Também não posso reclamar, pois foi um treinamento intenso, e agora tenho total ciência de minha capacidade de enfrentar os problemas.
E os amores, ah, os amores! Um fracasso atrás do outro. Acabei descobrindo que não tenho talentos para me relacionar. Eu não sei explicar, parece que me envolvo mais do que devia, que mergulho mais do que sou capaz de aguentar. E na hora de retornar à superfície, a pressão é demasiada, e me esmaga em pedaços minúsculos. Pelo menos descobri em mim a força do amor incondicional, a capacidade de ir até onde nem mesmo imaginava que existia, por alguém. Só faltou ter sido por alguém que valesse a pena.
Pelo menos estou avançando em minha carreira. Quase concluindo o meu doutorado, já sou professora de nível superior e levo a vida com o meu trabalho. Algumas frustrações existiram, no momento em que descobri que a ciência não passa de política, e a política só ferra com a ciência. Ao longo dos anos aprendi o valor do silêncio e descobri o sabor em observar, à distância, sem muito me envolver. Aquele ímpeto de saber cada vez mais para poder mudar o mundo (mesmo que só um pouquinho) se foi, dando lugar à calmaria de quem só faz trabalhar e sobreviver. Mas estou aqui, fazendo parte do mundo e seguindo a passos lentos.
Eu te amo muito, meu irmão. Amo todos de nossa família e sinto saudades sim. Pois somos feitos de mesma matéria, e nos protegemos com a mesma fúria. Entendemos exatamente a tristeza do outro e sabemos o momento certo de falar, de abraçar ou de chamar pruma cerva gelada. Sinto falta de chegar em casa, me largar no sofá e ouvir mamãe reclamando das coisas da vida, papai avoado como se nada ouvisse ou visse, Giovanni entretido em algum novo plano de sustos e você pentelhando qualquer um que estivesse ao alcance. Sinto falta da paz que existia naquele falatório em casa, tão cheio de vida e certezas.
Eu sinto falta, apenas.
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