Mulheres...
Já houve um tempo em que eu teria rido horrores da imagem acima. Na verdade ainda consigo rir, mas com um certo pesar no coração. Por questões de preconceito, aprendi desde cedo a me isolar e me proteger das pessoas. Isso teve um preço muito alto, e um deles foi o de me conhecer pouco por interagir pouco. Além disso, minhas relações de amizade eram exclusivamente com os meninos, o que fez com que minha feminilidade fosse ainda mais suprimida. Mas com o tempo e à medida que fui me relacionando mais, essa feminilidade foi tomando forma e um conflito psicológico foi se instalando em mim. Pensem comigo, como eu andava muito com meninos em minha infância e adolescência, era natural para mim pensar como um menino. Eu olhava para o grupo das meninas e suas "futilidades" e achava graça. Escutava as lamúrias e encarava como um blábláblá entediante. Sempre detestei perder tempo com cuidados de beleza por achar que o mundo tinha mais a oferecer. Só abrindo um parênteses, lembro-me de quando minha mãe começou a me levar ao salão de beleza para escovar os cabelos, toda sexta-feira. E eu era proibida de brincar e suar o cabelo durante todo o fim-de-semana. Na época a gente tinha uma casa com piscina e eu via meus irmãos se divertindo horrores enquanto eu tinha que ficar na minha. Fechando parênteses.
O conflito ao qual me referi está explícito atualmente e tem sido meu maior desafio. Minha feminilidade está muito aflorada, de uma forma que eu nunca vi. E portanto, nunca aprendi a lidar. Ter de me olhar no espelho e encarar que eu me tornei aquilo que sempre critiquei é muito duro. Mas eu acho que mais difícil ainda é perceber como fui injusta com as mulheres. Eu sempre fui adepta a auto-análise e por mais que machuque, eu prefiro encarar a ficar alheia a mim mesma (coisa que fiz por tempo demais). Hoje tenho uma compreensão maior do agir feminino. Somos sim seres complicadíssimos e conseguimos, com maestria, complicar a vida. Parece que estamos sempre buscando motivo para sermos infelizes (ouvi essa dias atrás em um momento doloroso, mas é a pura verdade). Nunca estamos satisfeitas e temos a capacidade de não acreditar no que ouvimos, apenas no que queremos acreditar. Somos competitivas e isso nos torna distantes uma das outras. E temos muita dificuldade em sermos criticadas, principalmente por aqueles que amamos. Entretanto, somos passionais ao extremo. E isso nos dá uma habilidade de amar que os homens nunca entenderão. Quando gostamos de alguém, seja quem for, somos capazes de um tudo, até mesmo esquecer de nós mesmas. E tem que ser macho demais para machucar alguém que amamos, porque nessas horas a ferocidade entra em cena sem pedir licença. Não conseguimos viver sem pensar naqueles que nos rodeiam, somos carinhosas e adoramos fazer pequenas lembranças para agradar as pessoas.
Eu posso dizer que estive dos dois lados. Pude viver um pouco com e como os meninos e hoje vivo meu lado feminino. Somos sim muito diferentes, homens e mulheres. A tirinha acima mostra uma das faces dessa realidade (e ainda consegue me fazer rir). Temos muito o que aprender um com os outros. Nós, mulheres, podemos parar sim de reclamar, viver melhor, aceitar antes de criticar, controlar nosso ciúme, e um tanto de outras coisas. Mas vocês, homens, podem também usar um pouco mais da inteligência emocional a seu favor. Não precisam simplesmente sair andando e nos virar as costas apenas porque a vida não está do jeito que lhe é confortável. Às vezes se dar ao trabalho de levantar e apalpar as almofadas pode fazer toda a diferença, se é que me entende! Acredito que o esforço precisa ser mútuo. Se permitir conhecer e estar disposto a encarar seus defeitos é importante, e não esquecer do agir sempre em busca de evolução. Nessa jornada eu descobri que esse crescimento é doloroso, mas que evoluir junto é mais divertido! E agora que temos braços, podemos contar com o outro pra coçar nossas costas, y otras cositas más!

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ResponderExcluirOpa, fico contente com isso! Divirta-se então! Beijos!
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