Respostas fictícias à perguntas inventadas
Eu entendo o julgamento, quando a visão é de fora. Compreendo rotular por frieza atitudes que você não sonha ser capaz de ter. Mas não entendo ignorar o que te digo, como se de mim não houvessem certezas. Sei que de meu caminho você conheceu um trecho em pedregulhos, e viu esvair de mim qualquer abertura emocional. Você viu nascer o traço mais saboroso que a vida poderia me proporcionar, e de alguma forma lhe trouxe à tona medos que só podem residir em você, para se fazerem sentir tão à flor da pele. Ou teria sido o prazer estampado em minha face que lhe fez agir assim, tão rígida comigo? Mas de uma certa forma, você sempre esteve certa, sempre existiu em mim uma brecha por onde flui incessantemente os mais diversos sentimentos. Brecha essa que eu nunca fui capaz de selar. E por mais inacreditável que possa parecer, onde você viu pura luxúria existiu amor. Do mais intenso. Porque é nato me doar por completo. E se me perguntar, sou capaz de redesenhar todas as curvas registradas em meus dedos, e posso sentir ainda fresco o toque macio em cima dos pelos. Sei localizar em que lateral guardei o meu conforto ao pesar a cabeça em descanso. E ainda possuo essa habilidade de registrar em memória as faces a muito custo compartilhadas apenas em momentos tão íntimos. Malícia transbordando de um canto de lábio suspenso nos dentes. E que lábios! Causadores de tremores há tanto esquecidos. E foi nessa combinação de libidinagem com carinho extremo que eu tive as estruturas abaladas na base, e precisei retomar a velha batalha interna sentimental. Não precisa conter o sorriso, eu sei, estou de quatro de novo, enrijecendo os músculos em busca de sustentação. Evoluindo, mais uma vez. E por isso devolvo em resposta a retórica que embala a minha essência: como não admirar aqueles que impulsionam minha alma a se fortalecer?
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