As pedras

Já dizia o cara, no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho. Há meses atrás eu tornaria esse axioma em meu mantra diário. Mas depois dos acontecimentos recentes, refraseio dizendo: 

"embaixo de tantas pedras, dizem haver um caminho,
dizem haver um caminho, debaixo de tantas pedras!"


Para os que sabem do que falo, nem eu mesma sei explicar como consigo seguir andando. Só sei que eu sigo. Os movimentos são guiados por forças que não sei de onde vêm. Nos últimos dias tenho sentido um aperto demasiado forte no peito, como se o ar se tornasse rarefeito. Este caminho que se esconde deve estar me levando pra cima, por isso o cansaço.

Há mais de um ano atrás, quando tudo já parecia estar acima do imaginável, eu repetia aos quatro cantos que sempre há um motivo por passarmos por tantas provações. Que eu me arrependia de nada, pois evoluí pessoalmente e profissionalmente. Se eu tivesse que escolher, passaria por tudo novamente. Eu havia me tornado uma pessoa mais sensata, mais cuidadosa. Aprendi a lidar com situações extremas, aprendi a avaliar os riscos, principalmente quando envolvem a mim mesma.

Mas agora, depois de tanto tempo, esse turbilhão retorna a minha vida, todo reformulado em um estilo Tim Burton de ser. Salvador Dalí se sentiria renovado diante de tamanho surrealismo, e atacaria a pinceladas uma tela qualquer. 

O mais interessante é perceber a dinâmica maestral da vida. No identificar da problemática, já me armei com todos os ensinamentos duramente acumulados nos anos anteriores. Me preparei na base e esperei, triunfante, como um guerreiro que antevê a vitória ilesa. Inocência a minha. Os golpes vieram renovados, frescos, ágeis ao extremo. A tempestade é de areia e me encontro em pé, no núcleo, a observar o mundo revolto em torno de mim. 

Sufocante...

Se existe saída? Inúmeras. Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é ser criativa ao buscar as soluções, me dando um leque de opções. Mas nenhuma delas é de graça. Na verdade, os custos em jogo têm sido altos demais desta vez. Neste momento estou tentando minimizar os problemas secundários, oriundos da tempestade. Ao mesmo tempo, preciso viver como se nada estivesse acontecendo. Desistir nunca foi uma opção. 


"Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas."
- Carlos Drummond de Andrade -

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