A quem possa interessar...
Petrópolis, Rio de Janeiro, 06 de Abril de 2012 (às 02:22 da manhã)
A segundos atrás as frases simplesmente brotavam em minha cabeça, perfeitas, sólidas, coesas. Algumas até poéticas... É só decidir escrever e elas desaparecem em meio à neblina, restando ruínas de sílabas tímidas.
Como ele está? Onde ele está? Eu passei o dia com a sensação de que ele está morto. Mas não sei o que isso quer dizer... Nas últimas semanas tenho sonhado com ele quase todas as noites. Desses sonhos quase reais que tenho tido. Posso vê-lo claramente, sem sombras de dúvidas. Quase posso tocá-lo.
"Você sabe qual será sua reação ao revê-lo?"
Engraçado, que mesmo rasgando as fotos, elas continuam ali, na parede, como fantasmas. Eu ainda sinto o cheiro da sua pele ao sair do banho... O toque suave que ele sempre teve.
Foi tudo uma mentira?
Até que ponto foi real?
Tem como medir?
Tem como saber?
E será que eu quero saber...?
Tudo o que eu sei é que fui sumariamente destruída. Abri mão de mim mesma, e tento todos os dias seguir em frente empurrando as tralhas que compõem minha vida. Sozinha, parada no tempo, sem grandes expectativas. Sem ter uma pessoa sequer para me consolar.
Não aguento mais esses pensamentos suicidas. Eu não sou suicida. E isso é o que piora... Porque esses pensamentos me atormentam demais. Eu só cansei... Cansei de falar, de sorrir... Cansei de esperar...
A verdade é que não sabemos nada da vida. Nada. É tudo hipótese... E cuspimos essas hipóteses como se fossem verdades absolutas. Nada é absoluto... E não temos sequer a decência de admitirmos nossa cegueira. Somos seres estúpidos, desesperadamente criando regras para nos dar a ilusão que controlamos alguma coisa. Nada é o que controlamos. Não temos coragem de conhecer a nós mesmos, mas temos a prepotência de querer conhecer o mundo... Eu tenho nojo de pertencer a essa raça. Vergonha é o que sinto por estar viva...
E a cada dia que passa eu descubro o monstro que sou. Vejo minha capacidade de frieza aumentar e fixar moradia. Sou desprezível como qualquer outro por ae... A única diferença é que começo a aceitar a natureza humana, deixando de lado as máscaras que tanto insistimos em usar.
Cansativo...
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