cenas [quase] reais

aquele som era insuportável. era só a metade da manhã ir embora que aquele som estridentemente irritante rompia o ar a gritar para quem quisesse ouvir (e tinha escolha?) que era dada a hora do intervalo. e ao seu comando centenas de crianças iam guardando seu material e se dirigindo ao pátio, para os 20 minutos mais esperados da escola.

pois bem, essa história se passa numa dessas típicas manhãs escolares. lá ia eu, tímida como sempre, com meu lanche em punho e muito bem acompanhada de mim mesma. o intervalo era o período em que as crianças podiam interagir, conversar, brincar. mas eu optava sempre por minha única e exclusiva companhia. sentei no mesmo lugar de sempre e ali, sobre o banco, descobri o que minha mãe preparara pro meu lanche escolar.

para meu espanto, alguns segundos após minha acomodação, percebo de repente um grupo de meninas, com vozes tão estridentes quanto aquele sinal, sentar-se próximo a mim. e enquanto saboreava um delicioso sanduíche de presunto e queijo com suco de laranja com adoçante, fui absorvendo palavra por palavra do que elas diziam:

- então, já pensou como vai ser o seu namorado?
- ah, o meu namorado vai ser louro e alto.
- e terá olhos claros?
- azuis como o céu estrelado!!!
- ah, eu queria que o meu aparecesse em um grande cavalo branco...
- como nos desenhos?
- sim, e eu teria um lindo vestido dourado!
- blábláblá, blábláblá, blábláblá...

um namorado... eu nem sequer havia pensado na possibilidade de ter um. deve ser estranho, um menino ali na tua frente, te abraçando, te beijando!!! afinal, é uma outra pessoa, um outro alguém, q nem ao menos podemos saber o que pensa... e porque me preocupar se ele será louro ou virá num cavalo? isso poderia vir a fazer alguma diferença? e se fosse careca e viesse a pé mesmo, deixaria de ser o meu namorado? afinal, que resposta teria eu para essa pergunta? e por que essa garota não pára de gritar??? ué, mas cadê as garotas???

e me dou conta que o sinal tocara novamente...



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hehehehhe, histórias sem pé nem cabeça. não, essa história não é verídica, eu nem mesmo tinha tanta raiva assim do sinal do colégio. eu preisava de uma história como essa pro gancho do post de hoje, mas minha memória me deixou na mão, como sempre... então resolvi criar uma história (apesar de ter um fundo de verdade).

não lembro de ter tido uma conversa sobre namorados. afinal, eu quase não conversava com ninguém. mas lembro que era um dos assuntos mais disputados nas conversas das meninas!!! falar sobre os futuros namorados. como eles seriam fisicamente, se teriam carro (ou cavalos), se nos levariam para dançar ou para ver um filme. mas me lembro também que eu nunca parei pra pensar a respeito dessas questões. eu nunca modelei um namorado para mim, nunca lhe dei nomes, apelidos, profissão, nunca sonhei com algo tão específico assim...

eu sonhava sim em ter um namorado, um cara que estivesse ao meu lado, que fosse amigo, que me respeitasse. sempre sonhei em ter um cara que estivesse disposto a correr o mundo, a descobrir as coisas ao meu lado. e, independente do cabelo ou do poder aquisitivo, eu sempre sonhei em ter um cara que falasse pra mim:

"eu te amo, garota, e não quero te perder!"




ps.: por isso que eu chorei, meu anjo, porque você conseguiu me assustar hoje. porque eu não esperava ouvir isso naquele momento. mas foi mágico! e de repente eu percebi o quanto eu te amo e te quero bem!

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