Um saliente filete de sol consegue atravessar as cortinas rasgadas e chegar ate a flor, aquela singela flor que permanece calada perante ao silencio do quarto. A flor. Podia jurar que vi uma lagrima descendo por entre as petalas. Mas lagrimas naum costumam ser vermelhas... muito menos viscosas. O quarto estava revirado, livros jogados ao chao, bonecas cuja inocencia fora rasgada ate o ultimo fiapo de algodao, vestigios do que um dia fora um belo vestido para passear aos domingos, quadros quebrados perdendo suas tintas em meio ao sangue que tinge de escarlate todo o branco do quarto, e aquilo que um dia fora uma crianca, que um dia estivera a brincar com suas bonecas, que sorrira ao sair para passear num dia de domingo, que pintara quadros lindos enquanto espiava a flor que enfeitava seu quarto, estava agora imovel, quieto. A flor. Podia jurar que vi uma lagrima descendo por entre as petalas, mas eram os meus olhos que choravam...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ao som de...

Reflexividade